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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Este documentário lançado em 2011 e dirigido pelo cineasta brasileiro Silvio Tendlergar alerta sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos na agricultura brasileira, que atualmente é a recordista mundial no uso desses agentes químicos fornecidos por empresas como Bayer, Dupont e Monsanto, entre outras.

Aborda também a questão de como o governo, em parceria com as grandes empresas, implantou um modelo que ameaça a fertilidade dos solos, a água e a biodiversidade, contaminando as pessoas através do o ar e da alimentação.


Muitos dos venenos produzidos por estas empresas foram banidos em vários países de todos os continentes, mas no Brasil continuam em uso, inclusive pelos pequenos agricultores, que são obrigados a usar sementes transgénicas e pesticidas para conseguir crédito junto aos bancos.

O Brasil é o país do mundo que mais consome os venenos: são 5,2 litros/ano por habitante, e é fácil perceber porquê, pois existe um incentivo fiscal para quem utiliza agrotóxicos, o que gera uma grande contradição entre a saúde da população e a economia do país uma vez que o grande interesse permanece do lado das multinacionais e dos governos.

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domingo, 13 de outubro de 2013

"O Mundo Segundo a Monsanto" é um documentário de 2008 dirigido por Marie-Monique Robin e relata muitas controvérsias em torno do uso e promoção de sementes geneticamente modificadas, bifenilos policlorados (PCB), o Agente Laranja, etc. Casos nos Estados Unidos, Canadá, Índia, México, Paraguai, Reino Unido e França, são explorados, apontando ao longo do caminho as conspirações das corporações com os governos, as táticas de pressão, supressão e manipulação de dados científicos e extra-legais praticadas ajudando grandes empresas na tentativa de dominar a agricultura global. 

São entrevistados cientistas, representantes da Administração de Alimentação e Medicamentos e Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, representantes da sociedade civil, vítimas de atividades da empresa, advogados e políticos.

Este documentário aborda perigos do enorme crescimento das plantações de transgénicos, que em 2007, cobriam 100 milhões de hectares, com propriedades genéticas patenteadas. 90% são propriedade da Monsanto. Por meio de documentos inéditos e testemunhos de cientistas, representantes governamentais e vítimas da companhia, o filme realiza uma ampla investigação sobre um dos maiores impérios industriais do mundo.

"O Mundo Segundo a Monsanto"


Monsanto
Criada em 1901, a gigante americana Monsanto, hoje líder mundial na produção de organismos geneticamente modificados, é conhecida pela toxicidade dos seus produtos. Enfrentado processo atrás de processo ao longo da sua história, a empresa reinventou recentemente a sua imagem como uma companhia preocupada com a implantação do desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza. 


Robin (produtor do documentário) viaja para a Índia, México, Argentina e Paraguai para perceber como os organismos geneticamente modificados da Monsanto têm afetado os agricultores locais que usam o seu produto.

Factos:
  • O México, depois de banir os OGMs, tentou limitar a contaminação e cruzamento de milho geneticamente modificado, para comer, financiado pelos Estados Unidos e importado através do Acordo Norte-Americano de Comércio Livre (NAFTA).
  • Agricultores argentinos estão a desistir da agricultura e estão-se a mudar para centro urbanos pois não conseguem competir com as agriculturas transgénicas e têm experienciado efeitos negativos provenientes dos herbicidas e pesticidas.
  • O Paraguai foi forçado a aceitar culturas de OGM's pois já eram importados para o seu país e eram cultivados em massa anonimamente, então a proibição à sua exportação iria causar sérios problemas à economia do país.
Como era de esperar, a Monsanto recusou participar neste documentário.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013


Transgénicos são organismos geneticamente modificados (OGM's) cujo material genético é alterado com uma tecnologia que permite a introdução de genes específicos de um organismo para outro, a fim de obter alguma qualidade que não possui e que o torna mais vantajoso.


Basicamente são organismos "manipulados" em laboratório com técnicas da engenharia genética que permitem "cortar e colar" genes de um organismo noutro, mudando a forma do organismo e manipulando a sua estrutura natural a fim de obter características específicas.

Eles surgiram na década de 1970, quando foi criada a técnica do DNA recombinante criando por exemplo insulina humana feita por bactérias modificadas, com menor taxa de rejeição entre os diabéticos.

A comercialização de transgénicos é polémica.

  • Por um lado algumas empresas, produtores e cientistas defendem a nova tecnologia e dizem que ela aumentará a produtividade, reduzirá os preços dos produtos e permitirá a redução dos agrotóxicos utilizados.
  • Por outro lado, os ambientalistas e outros cientistas afirmam que o produto é perigoso uma vez que não se conhece seus efeitos sobre a saúde nem o impacto que pode causar ao meio ambiente.


Existem alguns estudos que nos alertam para os perigos no consumo de alguns produtos transgénicos:

Um exemplo é o relatório “Tolerância a herbicidas e cultivos transgênicos: Por que o mundo deveria estar preparado para abandonar o glifosato”, elaborado pelo Greenpeace.

O relatório chama atenção para a relação entre glifosato e saúde humana. Segundo o relatório, no estado argentino de Chaco onde campos de soja e arroz (GM) eram pulverizados com glifosato os defeitos de nascença aumentaram quase quatro vezes no periodo entre 2000 e 2009.
Defeitos semelhantes foram também encontrados em mulheres no Paraguai que foram expostas ao glifosato durante a gravidez. Estes defeitos foram compatíveis com os induzidos em experiências de laboratório e as concentrações usadas eram muito menores do que o normal de concentrações de glifosato no uso comercial.

Problemas reprodutivos, cancro e doenças neurológicas são apenas alguns dos possíveis efeitos causados pela exposição de homens e mulheres ao glifosato, substância encontrada em herbicidas comercializados pela empresa Monsanto.



Outro exemplo, "GMO Mitos e Verdades: Uma análise baseada em evidências de pedidos feitos para a segurança e eficácia de plantações geneticamente modificadas" elaborado pelo Earthopensource e assinado pelo especialista em engenharia genética, Michael Antoniou; o especialistas em biossegurança, John Fagan; e a editora do portal de modificação genética GMWatch, Claire Robison; destaca pesquisas que denunciam os alimentos transgénicos como perigosos, assim como herbicidas que são usados em milhões de colheitas.

Entre as afirmações, está a de que “a engenharia genética não é precisa e não é segura, pode gerar toxinas que, dificilmente, seriam detetadas”.


Mais um exemplo, "Long term toxicity of a Roundup herbicide and a Roundup-tolerant genetically modified maize" publicado pela revista científica Food and Chemical Toxicology no dia 19 de Setembro de 2012.

O estudo foi realizado pela equipa do professor Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, onde 200 ratos foram alimentados ao longo de dois anos com as seguintes rações: milho NK603 (transgénico) com e sem Roundup (o herbicida mais usado no mundo) e com milho não modificado geneticamente tratado também com Roundup. As doses utilizadas na dieta dos animais foram equivalentes ao que a população norte-americana está exposta na sua alimentação diária.

Segundo o estudo, os grupos tratados com OGM morreram de 2-3 vezes mais do que os grupos controlados, e mais rapidamente. As fêmeas tratadas desenvolveram grandes tumores mamários quase sempre mais frequente do que nas controladas, sendo a hipófise o segundo órgão mais afetado. Os machos tratados apresentaram quatro vezes mais tumores palpáveis ​​do que os controlados. Dados bioquímicos confirmaram deficiências renais crónicas com ambos os tratamentos e em ambos os sexos.

Ambos os produtos (milho NK603 e Roundup) são patenteados e comercializados pela Monsanto.

Ver relatório na íntegra (em inglês): 
http://research.sustainablefoodtrust.org/wp-content/uploads/2012/09/Final-Paper.pdf

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Para compreender os problemas dos Transgénicos aconselhamos: 

Estatísticas 2011

Segundo a organização ISAAA 160 milhões de hectares de transgénicos foram cultivados em 2011 contra 148 milhões em 2010, ou seja, um crescimento absoluto de 12 milhões de hectares (8%).

Dos 29 países que adotam biotecnologia em 2011, seis deles são da União Europeia e plantaram 115 mil de hectares de alimentos transgénicos.

É importante referir que, em 2011, 19 dos 29 países produtores de cultivos biotecnológicos eram países em desenvolvimento, enquanto os outros 10 eram países industrializados. 

Os Estados Unidos são líderes na produção de alimentos geneticamente modificados, com 69 milhões de hectares (uma taxa de aprovação média de ~ 90% em todas as suas principais plantações biotecnológicas), com um crescimento forte em milho e algodão.

O Brasil plantou 30,3 milhões de hectares, consolidando a 2ª posição e crescendo 19,3% em relação ao ano de 2010.

Portugal encontra-se em 21º lugar, sendo o milho o alimento utilizado na plantação de transgénicos. 

Os principais países em desenvolvimento na plantação de transgénicos são a China e a Índia, na Ásia, Brasil e Argentina na América Latina, e África do Sul no continente africano, juntos chegam aos 71,4 milhões de hectares (44% do global) e representam aproximadamente 40% da população global.

Transgénicos em Portugal

Segundo dados divulgados pela publicados pelo Ministério da Agricultura, em 2007 Portugal semeou 4199 hectares de milho geneticamente modificado, mais de 200% de crescimento face ao ano anterior (2006).

Os últimos dados oficiais dão conta de 7723 hectares de milho transgénico plantado em Portugal sendo que na zona Norte do país existem 209 hectares, na zona Centro 758 h, em Lisboa e Vale do Tejo 2294 h, nos Açores 2,5 h e no Alentejo 4460 hectares o que corresponde a 58% do total de plantações de milho transgénico em Portugal.

Fontes:
Evolução do cultivo de milho transgénico em Portugal
"Portugal importa milhões de transgénicos por ano"
Os OGM, a Saúde, os Riscos e as Decisões
Transgénicos, Ciência e Independência q.b.
Controvérsias nos GMO
Riscos dos transgênicos para a saúde humana
Transgénicos Fora

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